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<T+1>

<hist. 8 s. cap. 13>

<198>

Captulo 13



A Crise do Populismo



  Aps a Segunda Guerra (1945) at 1964, o Brasil viveu um 

perodo democrtico em que os presidentes foram eleitos com 

voto direto e secreto. Os principais partidos eram o PSD, o 

PTB e a UDN. Detalhe: a UDN era radicalmente antigetulista.

  Depois de Dutra, Getlio Vargas voltou  presidncia. Mas 

seu governo viveu uma grande crise. Atacado por empresrios, 

militares, pela grande imprensa e pela UDN, Vargas terminou 

seu governo suicidando-se.

  Meses depois, na Argentina, Pern era derrubado. O 

populismo estava entrando em crise.



<P>

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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Quadro com uma foto   o

  de Getlio Vargas, com o      o

  vidro quebrado. Getlio        o

  Vargas, ex-ditador,  eleito   o

  pelo povo em 1950 e se sui-    o

  cida em 1954.                  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<199>

poca de perguntas



  Na metade do sculo Xx, muitas empresas multinacionais se 

instalaram no Brasil. _Multinacionais so empresas 

estrangeiras que abrem filiais em outros pases. Por exemplo, 

a Nestl  uma empresa sua da rea alimentcia, que produz 


achocolatados (Nescau), chocolates (Prestgio), caf solvel 

(Nescaf), sorvetes (Yopa), farinha lctea (Neston), etc. As 

indstrias da Nestl localizadas no Brasil pertencem aos 

seus acionistas, que moram na Sua. Grande parte dos lucros 

gerados no Brasil  enviado para a Sua. Ou seja, uma 

riqueza gerada no Brasil e drenada para outro pas. Por outro 

lado, a empresa trouxe capital e tecnologia e oferece 

empregos. Voc j percebeu a polmica em torno disso, no ?

  Desde os anos 50, os brasileiros se perguntam: as empresas 

estrangeiras so benficas para a economia brasileira? Elas 

deveriam ser incentivadas a se instalar no Brasil? As 

empresas nacionais deveriam ser protegidas contra a 

concorrncia estrangeira?



A vida democrtica de 1945 a 1964



  Ns vimos que no final da Segunda Guerra (1945) os 

militares afastaram Getlio Vargas da presidncia do Brasil. 

Estava encerrada a ditadura do Estado Novo. Em seguida, 

aconteceram duas eleies muito importantes: para a 

Assemblia Constituinte e para presidente da Repblica.

<P>

  A Assemblia Constituinte contou com a participao at do 

Partido Comunista do Brasil (PCB). Os membros da Assemblia 

Constituinte elaboraram a _Constituio _de _1946, 

considerada, na poca, a mais liberal que o Brasil havia 

tido. Ela estabelecia voto direto e secreto para presidente 

da Repblica, embora os analfabetos ainda no pudessem votar. 

Os trs poderes ficaram em equilbrio, o que significava que 

o presidente da Repblica teria de governar dialogando com o 

Congresso Nacional (deputados e senadores). Agora, os 

trabalhadores tinham o direito de fazer greve sem ir para a 

cadeia e a imprensa ganhou liberdade para criticar o governo. 

Entretanto, repare que essa Constituio no estabelecia 

direitos trabalhistas para os empregados das fazendas nem 

mencionava a possibilidade de uma reforma agrria. Mas abria 

a possibilidade da interveno do governo sobre os 

sindicatos. Refletia um pouco: ser que ela realmente poderia 

ser considerada democrtica?



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: So Paulo nos anos      o

  50 j era uma grande metr-       o

  pole: edifcios, fbricas,         o

  viadutos e automveis. Os         o

  brasileiros das grandes ci-        o

  dades tendiam a votar no PTB     o

  e na UDN. Alguns simpatizaram   o

  com o PCB.                       o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  O perodo que vai da queda de Getlio, em 1945, at o golpe 

militar de 1964 foi o primeiro em nossa histria no qual os 

presidentes da Repblica passaram a ser eleitos com o voto 

direto e secreto do povo. Infelizmente, essa era democrtica 

se interrompeu quando os milagres impuseram a ditadura a 

partir de 1964.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura: Em 1945, as mulhe-  o

  res ocidentais seguiram a        o

  moda ditada pelo cinema de       o

  Hollywood. No Brasil, as mu-  o

  lheres votaram pela primeira     o

  vez para presidente da           o

  Repblica.                      o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<200>

Os partidos getulistas: o PSD e o PTB



  Entre 1945 e 1964 havia diversos partidos polticos. Os 

trs mais importantes eram o PSD, a UDN e o PTB. Dois deles 

formados por polticos ligados s idias de Vargas: o PSD e o 

PTB.

  O _PSD (Partido Social Democrtico) era formado por 

polticos conservadores lidados a Vargas. A maioria dos 

deputados, senadores e prefeitos do Brasil inteiro pertencia 

ao PSD, considerado o maior de todos os partidos. Sua fora 

vinha do apoio de grandes empresrios, principalmente os que 

enriqueceram atendendo s encomendas do governo no tempo do 

Estado Novo. A maioria dos empresrios beneficiados por 

favores diretos do governo estava ligada ao PSD.

  No PSD tambm havia muitos polticos que foram nomeados por 

Getlio como administradores na ditadura do Estado Novo. 

Agora, na vida democrtica, eles se utilizavam dos cargos no 

governo para conseguir votos. Por exemplo, no caso do 

poltico que mandava asfaltar uma rua em troca de votos. Essa 

barganha (obra pblica por votos)  chamada de _clientelismo 

_eleitoral. No PSD muitos polticos se beneficiaram do 

clientelismo eleitoral.

  Alguns pessedistas mais jovens estavam abertos para 

reformas democrticas moderadas, como o mineiro Tancredo 

Neves e o paulista Ulysses Guimares (ateno para esses dois 

porque se tornaram muito importantes para a nossa histria).



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Charge de 1950: a velhinha   o

  se perde na floresta de car-     o

  tazes e siglas. Entretanto,     o

  os partidos no eram {todos      o

  iguais}?                         o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  O _PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) era considerado o 

{herdeiro} das idias trabalhistas e nacionalistas de Vargas. 

Seus votos vinham principalmente das cidades, dos operrios e 

da classe mdia baixa dos subrbios. Pessoas que acreditavam 

nos ideais da criao de leis trabalhistas para harmonizar 

patres e empregados. Veneraram o {pai dos pobres} (Getlio). 

Muitos sindicatos que recebiam favores do Ministrio do 

Trabalho eram ligados ao PTB.

<P>

  Alguns anos depois da morte de Vargas, j no comeo dos 

anos 60, o PTB comeou a ter uma ala de polticos 

nacionalistas e favorveis a mudanas profundas no pas, como 

a reforma agrria. Por causa disso, essa ala chegou a se 

aliar com o PCB. Exemplos desses polticos nacionalistas e 

reformistas: o presidente gacho Joo Goulart (derrubado pelo 

golpe militar de 1964) e o deputado e governador do Rio 

Grande do Sul, Leonel Brizola.



O tamanho dos partidos



  Eleies para deputado federal (% do total de votos)



  1945

  -- PSD: 52

  -- UDN: 27

  -- PTB: 8



<P>

  1950

  -- PSD: 37

  -- UDN: 25

  -- PTB: 17



  1954

  -- PSD: 35

  -- UDN: 23

  -- PDT: 17



  1962

  -- PSD: 29

  -- UDN: 23

  -- PTB: 28



  O grfico mostra a proporo de votos que os trs 

principais partidos receberam nas eleies de 1945 a 1962. 

Note que a soma no  igual a 100% porque no aparecem a os 

votos recebidos pelos partidos pequenos. Analisando os dados, 

voc percebe que, nas eleies de 1945, mais da metade dos 

eleitores do Brasil inteiro (foram 52%) votou nos candidatos 

a deputado do PSD e apenas 8% no PTB. Com o passar dos anos, 

o PSD foi perdendo votos. A UDN era estvel, ficando com 25% 

a 23% dos votos que correspondiam  classe mdia. Note o 

crescimento espetacular do PTB, que, em 1954 (ano da morte de 

Vargas), teve apenas 17% dos votos, mas em 1962 j alcanava 

28%.



<201>

UDN de Lacerda: a inimiga de Getlio



  Ao contrrio do PSD e do PTB, a _UDN (Unio Democrtica 

Nacional) era totalmente contrria ao getulismo. Ela defendia 

o _liberalismo _econmico, ou seja, que houvesse poucas 

empresas estatais e a mnima interveno possvel do governo 

na economia. A UDN era antinacionalista. Para ela, o capital 

estrangeiro deveria ter total autonomia para investir e 

lucrar no Brasil, sem os limites impostos pelo governo 

brasileiro. Geralmente, a UDN tambm era contra as medidas 

trabalhistas. Por exemplo, os deputados e senadores da UDN 

atacavam os aumentos do salrio mnimo porque achavam que s 

serviam para causar a inflao. De modo geral, o modelo 

poltico e econmico da UDN se assemelhava ao capitalismo 

liberal dos EUA. O maior representante da UDN era o 

jornalista, empresrio e poltico carioca _Carlos _Lacerda.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Carlos Lacerda, o      o

  famoso lder da UDN. Ferrenho  o

  adversrio de Getlio, mas       o

  tambm dos comunistas.            o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Os polticos da UDN ficaram conhecidos por seus ataques  

corrupo. Contavam com o apoio de setores do empresariado 

interessados em se associar aos investidores estrangeiros. 

Grande parte da classe mdia simpatizava com a UDN, talvez 

motivada pela imagem de que seus integrantes seriam todos 

{pessoas de bem}, ou seja, empresrios e gente com nvel de 

instruo universitria.

  O maranhense Jos Sarney e o baiano Antnio Carlos 

Magalhes comearam a carreira poltica na UDN. Apesar de 

viver falando da {ameaa comunista s liberdades 

democrticas}, em 1964, a maior parte dos udenistas apoiou o 

golpe que inaugurou a ditadura militar.



Querem mudar tudo: os comunistas



  O _PCB (Partido Comunista do Brasil) era um partido 

importante na poca. Conquistou o direito de existir 

legalmente e de participar das eleies. Os comunistas 

formaram o quarto partido mais votado no pas e elegeram Lus 

Carlos Prestes senador.

  Do mesmo jeito que estava acontecendo na Europa, muitos 

intelectuais e estudantes universitrios apoiavam os 

comunistas. Aos poucos, militantes comunistas conseguiam 

vencer eleies para a diretoria dos sindicatos operrios. 

Todavia, em 1947 o presidente Dutra ordenou o fechamento do 

PCB. Mais uma vez o partido voltava a ser clandestino (agia 

escondido da polcia).

  Apesar de ter de funcionar secretamente, perseguido pela 

polcia, o PCB continuou sendo uma fora importante junto aos 

intelectuais, estudantes e sindicalistas. No podemos estudar 

a histria do Brasil daquela poca sem levar em considerao 

a influncia que ele exercia.



Intelectuais brasileiros e o comunismo



  No sculo Xx, entre as dcadas de 30 e 70, muitos 

brasileiros inteligentes mostraram simpatia pelo Partido 

Comunista. Entre eles, o arquiteto Oscar Niemeyer, os 

pintores Di Cavalcante e Portinari, os poetas Carlos Drummond 

de Andrade e Ferreira Gullar, os escritores Jorge Amado, 

Monteiro Lobato e Graciliano Ramos, o cientista Mrio 

Schemberg, o ator Mrio Lago. 

  O PCB tambm contava com o apoio de pessoas de nvel de 

instruo superior: advogados, jornalistas, oficiais das 

Foras Armadas, mdicos, engenheiros e professores. Sem falar 

no grande nmero de estudantes idealistas que acreditava no 

socialismo.

  Porm a grande fora dos comunistas estava nas organizaes 

operrias e camponesas que eles dirigiam. Quando os 

trabalhadores manuais se tornavam comunistas, a ento havia 

perigo para as classes dominantes.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura: pintura de Portina-  o

  ri. Portinari  o maior pin-    o

  tor brasileiro do sculo Xx.    o

  E ele deforma os ps as mos    o

  da mulher para expressar a       o

  vida do povo: trabalho, so-      o

  frimento e tambm fora para     o

  mudar as coisas.                 o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<202>

A era do rdio



  Nos anos 40 e 50, o grande veculo de comunicao dos 

brasileiros era o rdio. Todo mundo botava as orelhas perto 

das vlvulas eletrnicas e dos alto-falantes para ouvir as 

transmisses esportivas, as novelas mexicanas, os programas 

de auditrio, Emilinha Borba, Nelson Gonalves, Cauby Peixoto 

e tantos outros.

  Os milhares de leitores da _Revista _do _Rdio votavam para 

escolher a {Rainha do Rdio}. Mais tarde, a cantora Marlene 

revelou: {O negcio era comprado mesmo. A Antarctica 

(fabricante de bebidas) deu o cheque em branco para cobrir os 

meus votos e eu ganhei}.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: capa da Revista do  o

  Rdio. Grandes empresas com-  o

  pravam o resultado da elei-     o

  o. A democracia do mercado   o

  tinha chegado  indstria       o

  cultural...                     o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Charge de Estevo (1956)    o

  mostra o favelado ouvindo o      o

  anncio de um produto luxuoso.   o

  O Brasil que aparece na pu-    o

  blicidade  o Brasil de todos   o

  os brasileiros?                  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



Nasce uma estrela: a TV



  Em 1950, a TV Tupi de So Paulo, que pertencia ao 

megaempresrio Assis Chateaubriand, fazia a primeira 

transmisso do Brasil. Pouco depois, seria inaugurada a TV 

Tupi do Rio de Janeiro. Na poca a televiso era um aparelho 

de luxo, s as classes altas tinham dinheiro para comprar. 

Ningum podia imaginar a fora que ela teria no pas a partir 

dos anos 70.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura TV antiga. Os pri-  o

  meiros aparelhos s transmi-     o

  tiam imagens em preto-e-branco.  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<203>

O governo Dutra



  O marechal _Eurico _Gaspar _Dutra foi o primeiro presidente 

do Brasil eleito com o voto direto e secreto, apoiado pelo 

PSD e pelo PTB, ambos partidos getulista. Provavelmente, a 

populao votou em Dutra acreditando que ele governaria de 

modo semelhante a Vargas. Enquanto isso, Getlio tirava um 

descanso em sua fazenda em So Borja (RS), tomando chimarro 

e lendo jornais. Estava meio afastado da poltica desde que 

os militares o derrubaram da presidncia (1945). Mas voc j 

notou que ele continuava popular.

  Por incrvel que parea, a Segunda Guerra (1939-1945) 

beneficiou a economia brasileira. Nesse perodo o Brasil 

aumentou as exportaes de alimentos e matrias-primas para 

os EUA e a Inglaterra. Ganhou uma grande quantidade de 

dlares e libras (dinheiro americano e britnico). Agora, 

veja s: o presidente Dutra determinou o rebaixamento das 

tarifas alfandegrias (impostos sobre importao). Ficou 

muito fcil importar. Assim, o Brasil foi inundado por uma 

enchente de produtos estrangeiros: automveis, 

eletrodomsticos, perfumes, casacos de pele (para o nosso 

vero tropical!). Importaram-se at mesmo aparelhos de 

televiso numa poca em que no havia nenhuma estao de TV 

transmitindo programas! Resultado? Quase todo aquele dinheiro 

forte acumulado pelo Brasil com as exportaes durante a 

Segunda Guerra foi desperdiado com as importaes. Em vez de 

o Brasil usar o dinheiro para financiar o crescimento de 

indstrias, torrou comprando perfumes franceses e usques 

escoceses.

  Naqueles tempos o mundo j estava dividido pela _Guerra 

_Fria (releia o captulo 11). Dutra alinhou o Brasil com os 

EUA. Rompeu relaes diplomticas com a URSS, isto , o 

Brasil deixou de ter embaixada em Moscou ao mesmo tempo que 

convidou o pessoal da embaixada sovitica no Rio de Janeiro a 

se retirar para a URSS.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Gravura: carro Plymouth,    o

  1949. Durante o governo       o

  Dutra, o brasil desperdiou    o

  milhes de dlares importando   o

  bens de consumo para a classe   o

  mdia alta e para a burguesia.  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

  Dentro desse clima de intolerncia da Guerra Fria, o 

governo Dutra conseguiu que o Poder Judicirio proibisse o 

funcionamento do PCB (1947). Os polticos comunistas eleitos 

(deputados, vereadores, etc.) foram causados, ou seja, 

perderam seus mandatos (cargos). Os comunistas voltaram a 

viver na clandestinidade.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Eurico Gaspar Dutra.   o

  O marechal Dutra aproximou-se    o

  da UDN, mandou centenas de       o

  sindicatos e nomeou um empre-      o

  srio para ser o ministro do       o

  trabalho. Portanto, um governo    o

  bastante conservador.              o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  No final do governo Dutra, a inflao alta engolia o 

salrio mnimo. Os trabalhadores voltaram a se agitar. E a, 

nas eleies presidenciais, surgiu um candidato imbatvel: 

Getlio Varga. Ele venceu fcil. O velhinho retornou  

presidncia, s que dessa vez com eleies livres.



O ltimo Vargas



  Getlio voltava  presidncia. Talvez ele ainda fosse o 

mesmo, embora mais velho. Mas com certeza o Brasil mudara um 

bocado. Vargas quis governar do mesmo jeito que fez de 1930 a 

1945, mas enfrentou grandes dificuldades. Do primeiro ao 

ltimo dia, teve seu governo marcado pela crise.

  Quando Getlio assumiu o governo, o pas estava mergulhado 

na inflao. Os preos subiam com rapidez de um coelho e os 

salrios aumentavam com a {agilidade} de uma tartaruga com 

sono. A inflao comia os salrios e os assalariados no 

comiam.

<P>

  Com a situao difcil, os trabalhadores partiram para 

lutar por seus direito: os sindicatos organizaram greves. Em 

So Paulo, 300 mil operrios recusavam-se trabalhar enquanto 

no recebessem aumento de salrios para compensar a inflao. 

A greve se espalhou pelas indstrias do interior do estado e 

pelo Rio de Janeiro. Com as fbricas sem operar, os patres 

tiveram de aceitar as reivindicaes.

   claro que a burguesia cobrava de Getlio uma posio: 

{Como , presidente, o senhor no vai tomar providncias 

contra as greves?} Vargas respondeu propondo um rearranjo do 

velho pacto paulista: aumentar um pouco os salrios para 

acabar com as revoltas dos trabalhadores. Mas, como dissemos, 

o Brasil tinha mudado um pouco. No tempo do Estado Novo 

(1937-1945), os empresrios aceitaram as leis trabalhistas 

porque elas eram importantes para o Estado controlar os 

trabalhadores. Agora era diferente. Os empresrios no 

estavam mais dispostos a dar aumento de salrios.

<204>

  O ministro do Trabalho de Vargas era um poltico gacho do 

PTB chamado Joo Goulart (de apelido {Jango}). Goulart props 

um aumento de 100% no salrio mnimo, isto , fazer o salrio 

valer o dobro. Os empresrios no aceitavam. A UDN protestava 

no Congresso argumentando que o crescimento dos salrios 

serviria apenas para aumentar a inflao. No final, a presso 

dos empresrios e da UDN contra o governo foi to grande que 

Vargas demitiu o ministro Joo Goulart. Para compensar, 

decretou o aumento do salrio mnimo.

  Nem os patres nem os empregados gostaram do que aconteceu. 

Os patres estavam irritados com Getlio porque ele aumentou  

o salrio mnimo e mesmo assim no conseguiu abafar as 

greves. Os trabalhadores sentiam-se cada vez mais acossados 

pela inflao, pelos preos que cresciam mais do que os 

salrios.

<P>

  Percebeu a situao complicada de Getlio? Os patres e os 

empregados estavam contra ele! Era atacado pela direita (a 

UDN) e pela esquerda (o PCB)!



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Getlio Vargas. O    o

  candidato oficial do PSD era   o

  Cristiano Machado. Mas a      o

  maioria dos polticos do PSD   o

  apoiou mesmo foi Vargas.        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



Getlio levou fcil



  Votos para presidente em 1950 (% do total)



  -- Getlio Vargas (PTB): 49

  -- Cristiano Machado (PSD): 21

  -- Eduardo Gomes (UDN): 30



<P>

A inflao engole salrios



  Aumento mdio dos preos (%)



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(((((((((((((((((((((((((((((((

  Pea ajuda ao professor.  y

ggggggggggggggggggggggggggggggg

<F+>



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: A inflao, gravura   o

  de Henrique Oswald, retrata o   o

  desespero do trabalhador dian-    o

  te dos preos que aumentam        o

  mais do que o salrio.            o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



Nacionalismo e {entreguismo}



  Vargas gostava de se apresentar como um poltico 

nacionalista. Dizia que os empresrios brasileiros mereciam 

proteo especial do governo e que os investimentos 

estrangeiros deviam ser controlados.

<P>

  O nacionalismo varguista tinha sido importante na poca da 

ditadura do Estado Novo (1937-1945). O Estado investiu na 

economia e apoiou o crescimento da indstria. Porm, o mundo 

estava mudando. Desde o fim da Segunda Guerra as empresas 

estrangeiras, principalmente as americanas, aumentaram seus 

investimentos de capital no Brasil e na Amrica Latina. E a, 

surgiam as perguntas: as empresas deveriam ter total 

liberdade para investir no Brasil ou ser limitadas pelo 

governo? As empresas nacionais mereciam proteo especial 

contra a concorrncia das empresas estrangeiras instaladas 

no Brasil?

  A UDN era favorvel  instalao de empresas estrangeiras 

no Brasil. Os udenistas argumentavam que quanto mais 

investimentos, melhor, porque a economia iria crescer e se 

modernizar.

<P>

  Os _nacionalistas discordavam. Diziam que as empresas 

estrangeiras eram to poderosas que seriam capazes de 

destruir economicamente as empresas nacionais. Se investissem 

demais no Brasil, passariam a controlar a nossa economia. 

Nesse caso, o Brasil perderia sua independncia: quem 

mandaria em nossa economia seriam os grandes capitalistas 

estrangeiros, principalmente os americanos. Com esse tipo de 

raciocnio, os nacionalistas defendiam que nos setores 

bsicos, como a produo de energia (petrleo, 

hidreltricas), minerao e transportes (estradas, 

navegao), s poderiam atuar as empresas brasileiras. Alm 

disso, as multinacionais no deveriam enviar todo o seu lucro 

para fora do pas: a lei as obrigaria a reinvestir no Brasil.

<205>

  Preste ateno porque isso  muito importante: {a disputa 

de idias entre os nacionalistas e os favorveis  liberdade 

para o investimento estrangeiro influenciou o pensamento 

econmico e poltico brasileiro da dcada de 50 at a de 90}.

  Os nacionalistas acusavam a UDN de ser {entreguista}, isto 

, de querer {entregar o Brasil ao imperialismo 

norte-americano}. A UDN rebatia, acusando os nacionalistas de 

terem uma viso ultrapassada da economia.

  Quem eram os nacionalistas? Para comear, o PTB e Vargas. O 

PCB da poca tambm era nacionalista, porque acreditava que 

era preciso apoiar a {burguesia nacional contra o 

imperialismo}. O interessante  que os comunistas acusavam 

Vargas de no ser nacionalista, de {ter se vendido aos 

americanos}.



O petrleo  nosso



  O petrleo, como voc sabe,  uma riqueza extraordinria. 

Gasolina, tintas plsticas, leos, fibras artificiais, muitas 

coisas podem ser feita utilizando-se petrleo como 

matria-prima. E a ficava a pergunta: quem deveria explorar 

o petrleo brasileiro? Uma empresa nacional ou uma 

multinacional?

  A UDN aceitava que as empresas estrangeiras, como a Shell, 

a Esso e a Texaco, explorassem o petrleo do Brasil. J os 

nacionalistas do Brasil inteiro organizaram a campanha {O 

Petrleo  Nosso}. Comcios, palestras, artigos de jornal, 

debates, livros, panfletos, tudo para forar o governo (o 

presidente e o Congresso Nacional) a criar leis proibindo as 

empresas estrangeiras de extrair o petrleo do Brasil.

  Vargas buscou apoio poltico dos nacionalistas. Por isso, 

assinou o decreto que determinava o {monoplio estatal do 

petrleo}, ou seja, uma lei que estabelecia que apenas uma 

nica empresa, de propriedade do Estado, poderia extrair e 

vender o petrleo do Brasil. Aprovada pelo Congresso 

Nacional. Essa empresa foi criada em 1953. Era a _Petrobrs.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Fbrica paulista em     o

  1954. O crescimento da autono-  o

  mia do proletariado assustou      o

  a burguesia, que acusou Var-     o

  gas de incapacidade               o

  administrativa.                   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  O governo americano reagiu cancelando o emprstimo de 

milhes de dlares de ajuda prometida ao governo brasileiro. 

A posio norte-americana era clara: sentiram-se 

profundamente prejudicados pela criao da Petrobrs. Com 

isso, Vargas estava comprando briga com um inimigo poderoso: 

as multinacionais e o governo dos EUA.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: capa de revista femi-   o

  nina. As revistas {femininas}   o

  apresentavam artigos sobre       o

  moda, culinria, cinema e        o

  conselhos para manter o          o

  casamento. Hoje em dia as       o

  revistas femininas so           o

  muito diferentes?                o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<206>

E o maior ficou pequeno



  A Copa do Mundo de Futebol de 1950 foi no Brasil. Para 

isso, inauguraram o maior estdio do mundo, o Maracan. Nossa 

seleo parecia ser imbatvel. At que chegou a final contra 

o Uruguai. Perdemos de 2 a 1 e o Maracan, lotado, emudeceu 

diante da garra da Celeste Olmpica. Ficou a lio para a 

vida: no  bom cantar vitria antes do tempo.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Maracan. O templo   o

  do futebol em construo.       o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



Os ataques incessantes



  O ltimo governo de Vargas foi marcado pela crise. Do 

comeo ao fim, crise econmica e crise poltica. Dia aps dia 

crescia o nmero de inimigos do governo: empresrios, 

comunistas, sindicatos, jornais, militares, udenistas, 

diplomatas norte-americanos, famlias de classe mdia... Um 

ambiente sufocante, no concorda?

  Os grande industriais temiam que Getlio no fosse mais 

capaz de controlar os sindicatos operrios. Esses empresrios 

se identificavam com a UDN e no aceitavam os aumentos 

salariais. Acusavam o trabalhismo de ser demaggico 

(enganador do povo).

<P>

  Muitos empresrios avaliaram que o nacionalismo getulista 

atrapalhava os negcios. Se as empresas estrangeiras 

investissem no Brasil, eles poderiam virar parceiros 

econmicos. Por exemplo, uma fbrica de automveis de uma 

multinacional poderia fazer encomendas e uma fbrica de 

vidros nacional. Perceba, ento, amigo leitor, que o 

nacionalismo varguista comeou a ser encarado por um setor da 

burguesia como algo que estrangulava a economia.

  A classe mdia tambm torcia o nariz para o governo, 

acusando Getlio e seus auxiliares de corrupo. Embora nada 

tivesse sido provado contra Vargas, o fato  que alguns dos 

seus assessores e dos polticos que o apoiavam eram realmente 

corruptos. Roubavam dinheiro pblico, aceitavam suborno.

  A grande imprensa atacava Getlio. Jornais como {O Globo} 

(da famlia Marinho, do Rio de Janeiro), {O Estado de S. 

Paulo} (da famlia Mesquita), o {Dirio da Noite} (do 

empresrio Assis Chateaubriand, dono da maior cadeia de 

jornais, rdios e estaes de TV da poca) e o jornal carioca 

{Tribuna da Imprensa} (de Carlos Lacerda), identificavam-se 

com os ideais da UDN e batiam sem parar em Getlio. Todos os 

dias havia notcias contrrias ao governo, artigos 

desmoralizando Vargas.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: jornal da dcada de    o

  50. Sem apoio da imprensa       o

  Vargas apoiou a criao do       o

  jornal {ltima Hora}, diri-     o

  gido por Samuel Wainer. Leia   o

  a manchete com ateno.           o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<F->

(((((((((((((((((((((((((((((((

  Pea ajuda ao professor.  y

ggggggggggggggggggggggggggggggg

<F+>



<P>

  Como voc percebe, no era mais como no tempo da ditadura 

do Estado Novo, quando era proibido fazer greve e criticar o 

presidente. Agora, sindicatos, partidos e imprensa tinham 

liberdades democrticas. Getlio, com pouca margem de 

manobra, era atacado por quase todo o mundo e pouco se 

defendia.

  Os comandantes militares tambm no toleravam Getlio. Os 

oficiais queixavam-se dos baixos soldos ({salrios}) e do 

equipamento obsoleto. Incomodavam-se com as acusaes de 

corrupo no governo. A maioria dos generais, coronis e 

almirantes vinha da classe mdia e alimentava forte simpatia 

pela UDN e por Lacerda.

  Aqueles eram os tempo duros da Guerra Fria. Para alguns 

militantes brasileiros, o Brasil deveria ficar totalmente 

alinhado com os EUA, contra a URSS. Por causa disso, o 

nacionalismo getulista era visto como uma injustificada 

agresso ao aliado norte-americano. Um raciocnio do tipo: {O 

que  bom para os EUA  bom para o Brasil. Se o nacionalismo 

 contra os EUA, ento tambm  contra o Brasil}. Claro que 

os generais sabiam que Getlio nada tinha de comunista. Mas 

tambm consideravam que Getlio no estava sendo capaz de 

organizar o pas, enquanto os comunistas {se aproveitavam da 

baderna}. Por isso, oficiais de alta patente emitiram o 

{Manifesto dos Coronis}, criticando o presidente da 

Repblica.



<207>

Os atentado da Toneleiros



  O inimigo mais conhecido de Vargas era o empresrio, 

poltico da UDN e jornalista Carlos Lacerda. No seu jornal 

_Tribuna _da _Imprensa, Lacerda atacava violentamente o 

governo, embora nem sempre comprovasse suas denncias. 

Lacerda era um bom escritor e excelente jornalista, contando 

com grande apoio da classe mdia, especialmente no Rio de 

Janeiro.

  Veio ento a tragdia.

  Tudo comeou quando o chefe da guarda pessoal de Getlio, 

Gregrio Fortunato, manipulado por assessores de Vargas, 

contratou um pistoleiro de aluguel para eliminar Lacerda. Na 

poca, Lacerda vivia escoltado por oficiais da Aeronutica 

simpatizantes da UDN. Na noite programada, o pistoleiro o 

estava aguardando na porta de sua casa, na rua Toneleiros, no 

bairro de Copacabana, Rio de Janeiro. Mas o assassino errou o 

tiro. Uma bala pegou no p de Lacerda. A outra matou o major 

da Aeronutica Rubem Florentino Vaz.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Lacerda carregado aps   o

  o atentado na Toneleiros. Ele    o

  acreditava que depois do afas-     o

  tamento de Getlio da presidn-   o

  cia, as eleies dariam a vit-    o

  ria  UDN. Mas o suicdio de    o

  Vargas anulou as esperanas       o

  polticas do lder udenista.       o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Pronto, estava armado o escndalo. A Aeronutica ignorou a 

polcia e fez investigaes por conta prpria. At que chegou 

em Gregrio Fortunato, o chefe da guarda de Getlio. Vargas 

no sabia do atentado. Mas a imprensa tratou de acusar o 

presidente de estar envolvido no {atentado na Toneleiros} 

contra Lacerda.

  Os generais deram um ultimato a Getlio: ou renunciava ou 

seria derrubado.

  Vargas pediu um tempo para pensar. Retirou-se para o 

quarto, escreveu uma carta, pegou o velho revlver Colt-32 e 

deu um tiro no corao. Suicidou-se. Era o dia 24 de agosto 

de 1954. A prpria morte foi a ltima cartada poltica de 

Vargas.



<P>

Argentina: queda de Pern



  Ns j vimos que a Argentina teve um presidente que 

governou de modo semelhante ao nosso Getlio Vargas. 

Tratava-se de Juan Domingo _Pern, que tambm era populista.

  Voc se lembra de que a economia argentina tinha se 

desenvolvido bastante graas s exportaes de carne bovina, 

trigo e l. Mas, depois da Segunda Guerra, a Argentina passou 

a enfrentar a concorrncia de outros pases, como Canad e 

Austrlia. As exportaes caram e a populao sofreu com a 

crise econmica.

  Os ataques polticos contra Pern foram muito parecidos com 

os ataques a Vargas no Brasil. Olha s: empresrios no 

querendo novas leis trabalhistas e sentindo-se prejudicados 

com os nacionalismo peronista, presses dos EUA contra o 

nacionalismo, militares incomodados com a corrupo, classe 

mdia que no aceitava a aproximao de Pern com os 

sindicatos operrios. Para agravar o quadro, a Igreja 

catlica no aceitou a aprovao da lei do divrcio. A morte 

de Evita Pern, de cncer, em 1952, foi tambm uma perda 

poltica para Pern, j que a primeira-dama (esposa do 

presidente) era muito popular. Ela  reconhecida como uma das 

principais responsveis pela criao da imagem de Pern de 

{protetor dos descamisados} (pobres).

  Em 1955, os militares afastaram Pern da presidncia, que 

seguiu para o exlio na Espanha franquista. A Argentina 

passou a viver anos de estagnao econmica e instabilidade 

poltica.



<208>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: um oceano de gente foi    o

  ao enterro de Vargas. Por que    o

  choravam? Pela lembrana do       o

  ditador do Estado Novo? Ou em   o

  homenagem ao nacionalista e        o

  criador das leis trabalhistas?     o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto do pijama de Getlio      o

  Vargas. Tem o buraco de bala     o

  no bolso ainda manchado de         o

  sangue. E a bala do revlver      o

  Colt-32. Essas peas atraem o   o

  pblico do museu. Mas ser        o

  que informam sobre o governo       o

  varguista?                         o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



A carta-testamento



  No funeral, as avenidas do Rio de Janeiro foram inundadas 

por multides que choravam a morte do {pai dos pobres}. O 

povo brasileiro comoveu-se com o final trgico do presidente.

  Vargas deixou uma carta-testamento, que foi publicada no 

jornal _ltima _Hora. Essa carta  muito importante porque 

nela o presidente expe os motivos para seu suicdio. Em 

resumo, ele diz que se matou porque no suportava mais a 

presso dos inimigos. E quem eram seus inimigos? Os {inimigos 

da ptria}. Primeiro, aqueles que tinham agredido o 

trabalhismo, as leis sociais, o aumento do salrio mnimo. Ou 

seja, a UDN. Segundo aqueles que bombardearam o nacionalismo, 

a criao da Petrobrs, a idia de controlar a remessa de 

lucros das empresas estrangeiras para fora do Brasil. Ou 

seja, a UDN, a grande imprensa, os EUA.

  O povo leu a carta, compreendeu a mensagem, chorou e ficou 

indignado. Como resultado, centenas de pessoas atacaram sedes 

da UDN e de jornais antigetulistas. A embaixada dos EUA, na 

rua Mxico, no Rio de Janeiro, precisou ser cercada pelo 

exrcito para que a multido no a invadisse.

  Lacerda imaginava que, depois do afastamento de Getlio, a 

UDN venceria as eleies. Mas o suicdio do presidente 

influenciou fortemente a opinio pblica. Desse modo, mais 

uma vez a UDN perdeu. O PSD e o PTB, os partidos getulistas, 

uniram-se para apoiar a eleio do presidente Jucelino 

Kubitschek de Oliveira.



<209>

Texto Complementar



  Vamos ler agora alguns trechos da famosa carta-testamento 

que Getlio Vargas deixou antes de se matar. Repare que ele 

apresenta os motivos pelos quais acreditava ter sido 

derrubado:



  {Mais uma vez, as foras e os interesses contra o povo 

coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. (...)

  A campanha subterrnea dos grupos internacionais aliou-se  

dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia 

do trabalho. (...) Contra a reviso do salrio mnimo 

desencadearam-se os dios. Quis criar a liberdade nacional na 

potencializao de nossas riquezas atravs da Petrobrs e, 

mal comea esta a funcionar, a onda de agitao se avoluma. 

(...)

  Lutei contra a espoliao do Brasil. Lutei contra a 

espoliao do povo. Tenho lutado de peito aberto. O dio, as 

infmias, a calnia no abateram meu nimo. Eu vos dei a 

minha vida. Agora vos ofereo a minha morte. Nada receio. 

Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e 

saio da vida para entrar na histria.}



  (Vargas, Getlio. {Carta-testamento} de 24 de agosto de 

1954.)



  A partir do que  apresentado pelo autor do texto acima, 

procure responder:



  1. Quais so os grupos que Vargas considera inimigos de seu 

governo?



  2. No texto, Vargas faz referncia a algo que ele criou e 

que irritou profundamente os capitalistas estrangeiros. O que 

foi?



  3. Qual  a medida trabalhista, citada no texto, que tanto 

irritou os inimigos de Vargas?



  4. Quem  o grupo poltico nacional que fez {campanha 

subterrnea} contra Vargas?



Exerccios de Reviso



  1. Caracterize a Constituio brasileira de 1946, 

destacando o que ela determinava a respeito do sistema 

eleitoral, do equilbrio dos trs poderes, das liberdades 

democrticas e da execuo de uma reforma agrria.



  2. Cite o nome dos trs partidos polticos mais importantes 

do perodo de 1945 a 1964.



<P>

  3. {Apelar para o capital estrangeiro, necessrio para os 

empreendimentos da reconstruo nacional (...) dando-lhes um 

tratamento eqitativo e liberdade para a sada dos juros 

(lucros).} (Programa da UDN, 1945.) {Planificao econmica 

atingindo todos os setores e visando, por meio de orientao, 

interveno ou gesto do Estado, que a produo do Pas 

atenda todas as necessidades internas e externas (...).} 

(Manifesto do PTB, 1945.) Compare as posies da UDN e do PTB 

em relao  participao do Estado na economia e em relao 


s medidas econmicas nacionalistas.



<210>

  4. Havia dois partidos polticos que tinham claras ligaes 

com os sindicatos. Quais eram? Qual deles se apoiava em 

pelegos sindicais e nos favores do Ministrio do Trabalho? 

Qual deles tentava organizar os sindicatos para combater o 

capitalismo?



  5. {() o poeta -- declina de toda a responsabilidade -- na 

marcha do mundo capitalista -- e com suas palavras, 

intuies, smbolos e outras armas -- promete ajudar -- a 

destru-lo.} (Carlos Drummond de Andrade, poeta, 1945.) 

Explique a importncia dos comunistas no Brasil logo aps a 

Segunda Guerra Mundial.



  6. Como a Segunda Guerra Mundial beneficiou a economia 

brasileira? O que Dutra fez com as vantagens obtidas durante 

aquele conflito?



  7. {A Mesa da Cmara dos Deputados (...) tendo em vista o 

ofcio (...) em que o Tribunal Superior Eleitoral (...) lhe 

comunica haver sido pela resoluo desse tribunal, de 7 de 

maio de 1947, o registro do Partido Comunista do Brasil -- 

declara extintos os mandatos dos deputados e suplentes 

eleitos sob a legenda desse partido.} (Cmara dos Deputados 

Federais.) Cite dois exemplos do reflexo da Guerra Fria sobre 

o governo Dutra.



  8. {Bota o retrato do velho outra vez -- Bota no mesmo 

lugar -- O sorriso do velhinho -- Faz a gente trabalhar.} 

(Samba de H. Lobo E M. Pinto, sucesso no Carnaval de 1951.) 

De que modo Getlio Vargas retornou  presidncia em 1951?



  9. Durante o governo Vargas a inflao era alta. Os preos 

subiam mais do que os salrios. Como ento os trabalhadores 

reagiram a essa situao?



  10. Como os empresrios receberam a proposta de ministro do 

Trabalho, Joo Goulart, de aumentar o salrio mnimo? Como 

Getlio procedeu?



<P>

  11. {Art. 1: Constituem monoplio da Unio; I -- a 

pesquisa e lavra das jazidas de petrleo (...). Ii -- a 

refinao de petrleo nacional ou estrangeiro (...). Art. 5: 

Fica a Unio autorizada a constituir, na forma da lei, uma 

sociedade por aes, que se denominar Petrleo Brasileiro 

S/A e usar a sigla ou abreviatura Petrobrs.} (Legislao 

Federal, 1953.) Qual era o objetivo da campanha {O Petrleo  

Nosso}? O que fez Getlio em relao a ela?



  12. {(...) precisamos incentivar o capital estrangeiro 

(...). (Mas  preciso) por cobro a essa explorao e 

salvaguardar o patrimnio nacional (...)} (Getlio Vargas.) 

Qual era a posio da UDN e do PTB em relao  presena das 


empresas estrangeiras na economia brasileira?



<P>

  13. {(...) os imperialistas norte-americanos penetram em 

todos os poros da vida econmica, poltica, social e cultural 

do pas, humilhando nosso povo, minando a independncia e a 

soberania da nao, com o objetivo de reduzir o Brasil  

situao de colnia dos EUA.} (Documento do Iv Congresso do 

PCB, 1954.) Explique a posio dos comunistas em relao s 

idias nacionalistas.



  14. {O sr. Getlio Vargas, senador, no deve ser candidato 

 presidncia. Candidato, no deve ser eleito. Eleito, no 

deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer  revoluo 

para impedi-lo de governar.} (Carlos Lacerda no jornal 

_Tribuna _da _Imprensa, 1/6/1950.) Indique quais eram os 

principais polticos que atacavam Getlio Vargas.



<211>

<P>

  15. {O sr. Getlio Vargas no conserva, pessoalmente, nem a 

fora do governo, que ele prprio est transferindo para 

outras mos, nem o princpio da autoridade, que se diluiu e 

esfacelou no desenvolvimento da crise. Apresentam-se, ento, 

duas solues: a reao desesperada do governo ou a renncia 

espontnea do presidente da Repblica.} (Jornal _Correio _da 

_Manh, 9/9/1954.) Explique o que foi o {Atentado na 

Toneleiros} contra Carlos Lacerda e qual foi a conseqncia 

dele.



  16. Explique as dificuldades da economia argentina aps a 

Segunda Guerra Mundial.



  17. Apresente os principais motivos para a derrubada de 

Pern, na Argentina, em 1955.



<P>

Reflexes Crticas



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Petrobrs. Criada por   o

  um decreto de Getlio Vargas     o

  em 1953, a Petrobrs se          o

  tornou uma das maiores empre-      o

  sas do mundo. Suas pesquisas      o

  cientficas so avanadas.         o

  Entretanto, muitos brasilei-      o

  ros se perguntam: a Petrobrs     o

  deve continuar sendo contro-       o

  lada pelo governo?                 o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  1. A Petrobrs deveria ser privatizada, ou seja, vendida 

para empresas particulares? Elabore uma pesquisa e veja quais 

so os argumentos favorveis e os crticos  privatizao da 


Petrobrs.



<P>

  2. Os aumentos salariais provocam inflao? Para que os 

preos no subam  necessrio que os salrios tambm no 

aumentem? Faa uma pesquisa e depois debata o assunto com 

seus colegas.



  3. Como destinguir os sindicatos {pelegos} dos sindicatos 

{autnticos}, isto , que realmente defendem os interesses 

dos trabalhadores?



  4. {O que  bom para os EUA  bom para o Brasil.} Debata 

esta afirmao.



          ::::::::::o:::::::::::
